sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A imprevisibilidade




Jorge Alves de Oliveira

            Como é gostoso viver! Como é gostoso poder visualizar a plasticidade da capacidade humana! Tal sensação não advêm de um juízo de valor sobre a vida ou sobre as condições de vida, mas, sim, de um dado visível, presente neste ser especial, humano. Que dado é este? É o da imprevisibilidade. E, por que de tanta admiração? Pelo fato de que este dado, além de ser presente na sua existência, faz com que o ser humano, também, seja um ser imprevisível. Neste sentido que se agregue ao ser humano mais uma dimensão. O ser humano é um ser do momento. Um ser do momento que é único, é impar e, é irrepetível. Na prática. É num dado instante, por conta da fala, da ação, do gesto ou outra forma de expressão, que toda a história – pessoal ou do grupo – alcança o ápice fazendo brotar derivações. O ápice e, as derivações, de alguma forma se eternizam e são expressos na alegria, na dor ou na expectativa de um novo acontecimento. Um novo referenciado pelo anterior.
            O encantamento é justificado por algumas situações do quotidiano. O músico sabe o quanto depende do momento. O sabe, também, o atleta. O cirurgião diante do paciente, o policial em combate, o professor diante do aluno. Todos sabem que o ensaio exaustivo, o preparo intelectual e psicológico, a experiência de vida, não são garantias, cem por cento, de acerto, de êxito. Aquele é o momento do solo. Aquele é o momento da ginga, do drible, do arremesso, do gol. Aquele é o momento da intervenção cirúrgica. Aquele é o momento de agir. Aquele é momento de intervir. Aquele momento e, não outro. O que ocorrerá? Qual será o seu desempenho? Imprevisível.  O que se tem, com certeza, é o apelo pela excelência, pois, o momento se impõe como único.
            A imprevisibilidade assusta, muitos gostariam de algo seguro. Mas, o ser humano se agiganta, exatamente, por viver o imprevisível. É ele que alimenta o desejo de viver. O imprevisível, marca registrada, das crianças que surpreende a todos com seus gestos, suas palavras, seus sorrisos, suas descobertas. Sim, olhar a criança é enfronhar-se nesta imprevisibilidade. João Pedro, que completa hoje cinco anos, é exemplo destas crianças que nos fazem dizer: como é gostoso viver!





Jorge Alves de Oliveira. Mestre em Filosofia da Educação pela USP. Especialização em Filosofia da Educação pela PUC-SP. Graduado e bacharel em Filosofia pela UFPR. Professor de filosofia na E.E. Prof. João Batista Curado – Jundiaí – SP. E-mail: jorgeafro@ig.com.br

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