sábado, 29 de outubro de 2011

Preconceito e bullying 3

As reflexões nesta coluna sobre preconceito, tendo como foco a etnia negra, e o bullying teve como referência a data de ‘13 de maio’. Na primeira reflexão estava expressa a sentença de que a ‘Lei Áurea’ não foi abolida. Talvez, para muitos, tal sentença não diga muita coisa, mas os apontamentos que seguem podem auxiliar.
É público a turbulência que cerca a assinatura da Lei Áurea. As reivindicações de todos os setores e, em especial, as ações dos escravos sinalizavam para a necessidade de uma nova configuração social. Tal configuração exigiria, fundamentalmente, um novo referencial de costumes e valores.
A história atesta que a pura e simples assinatura não foi suficiente para que ocorressem as profundas mudanças exigidas. Mais. A pauta dos novos libertos passou a ser a pauta da sociedade como um todo. E, que pauta é esta? Os ex-escravos pediam por uma indenização pelos trabalhos realizados até então. Pediam por moradia. Pediam por trabalho. Pediam, acima de tudo, pelo reconhecimento concreto de sua dignidade. Na atualidade é possível identificar esta pauta como ordem do dia. Remuneração/salário, trabalho, moradia, dignidade, elementos básicos de uma pauta que se alastrou para outros segmentos chamados de ‘minoria’.
O bullying, cujo combate se faz necessário com toda a rigidez, é um lastro daquela pauta/referencia de 1888. Aquele que sofre o bullying faz a experiência amarga do que é ser vítima do preconceito.
No espaço escolar as atitudes preconceituosas e as ações de bulling não podem ser minimizadas. Não se trata de ter as ‘minorias’ como heroínas, vanguardistas, modelos, mas, sim, de tratá-las tal como são. A ação educativa escolar tem um trunfo impar. Todo estudo implica em cotejar ideias, valores, costumes. Cotejar ideias implica em abrir-se para o diferente, abrir-se para o novo. Estudo e preconceito são dicotômicos, pois um pede abertura o outro é fechamento. A formação intelectual dos estudantes deve contribuir, paralelamente, com a revisão dos valores e costumes que balizam as condutas.
Preconceito e bulliyng dentro das unidades escolares sinalizam muito fortemente que as ideias não estão sendo capazes de demover as antigas práticas que ferem a dignidade humana.









Jorge Alves de Oliveira. Mestre em Filosofia da Educação pela USP. Especialização em Filosofia da Educação pela PUC-SP. Graduado e bacharel em Filosofia pela UFPR. Diretor da E.E. Prof. João Batista Curado – Jundiaí – SP. E-mail: jorgeafro@ig.com.br

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