Não há vida sem cuidado – 2
Jorge Alves de Oliveira
Ao indicar como mote pedagógico de 2011 “gostar de si é cuidar-se” é preciso explicitar a sua dimensão política e social. A ação humana sempre se inspira e implica o outro. ‘Gostar de si’ pode ser opção da pessoa sobre si mesmo, mas será, também, necessidade vital do grupo social. O mesmo vale para o ‘cuidar-se’. A vida é da pessoa, mas está umbilicalmente atrelada aos outros.
‘Gostar de si é cuidar-se’, portanto, é um compromisso consigo e com os outros. Lembrando que ‘cuidar-se’ é pensar-se e isto implica em ponderações. Ponderar é mensurar para fazer escolhas. Escolher o que? Aquilo que expande a vida com dignidade. Neste contexto fazer escolhas para que a vida seja vivida na sua excelência.
Fazer escolha não é fácil. ‘Não se pode abraçar o mundo’ como diz a sabedoria popular. Isto obriga a ter presente critérios para a escolha. Neste processo selecionam-se pessoas, selecionam-se locais, seleciona-se bate-papo, selecionam-se ideais. É fundamental, contudo, que não se perca em meio a preconceitos e discriminações promotoras de exclusões – sinônimo de morte. A não escolha está associada às práticas destrutivas da vida e isto não implica em desconsiderá-los enquanto pessoas que, também, trazem em si a dignidade. O ‘gostar de si’ e o ‘cuidar-se’ não pode promover desprezo para com a pessoa humana.
Entende-se, assim, a dimensão da proposta. ‘Gosta-se de si’ e para manter-se ‘cuida-se’. E por quê? Para não perder aquilo que é mais precioso: a vida. Este apreço e este cuidado devem instigar os outros a também cultivarem esta postura. Mais. O desprezo e descuido colocam todos em risco.
Longe, portanto, de um discurso moralista ou moralizante o mote deste projeto é a preservação e o desejo de viver. No ambiente escolar encontram-se os desejos de viver. Cada olhar, sorriso, gesto expressa tal anseio. Mesmo na ação destrutiva é possível visualizar o apelo desesperado pró vida. Cabe, pois, aos adultos evidenciarem os sinais de vida. Isto se efetiva por meio do estudo.
As proposituras e os argumentos a serem apresentados são avalizados pelo acúmulo de experiência da humanidade ao longo da história. O ‘gostar de si’ entra, então, na dimensão do ‘cuidar’ da mente. É por meio das ideias que se fortalece o desejo de viver e o de cuidar-se.
Jorge Alves de Oliveira. Mestre em Filosofia da Educação pela USP. Especialização em Filosofia da Educação pela PUC-SP. Graduado e bacharel em Filosofia pela UFPR. Professor de filosofia na E.E. Prof. João Batista Curado – Jundiaí – SP. E-mail: jorgeafro@ig.com.br blog: afrojorge.blogspot.com
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