O mês de maio está se acabando, mas é prudente propor algumas reflexões sobre o tema preconceito. Que não se perca de vista que o treze de maio existe e, que a Lei Áurea não foi revogada! O exercício reflexivo transita entre os conceitos: preconceito étnico negro, o racismo clássico, e o bullying. O ponto de partida assenta-se na afirmação de que os três conceitos possuem uma linha comum. Esta linha comum é a subjetividade. Desta forma, todo e qualquer critério está impregnado de uma “visão de mundo” específica de uma pessoa ou de um grupo. O complicador é que esta “visão de mundo”, em vários momentos, é apresentada como sendo universal, ou seja, é colocada como padrão para todos. O agravante, que causa indignação, é a marginalização imposta a aqueles que não se encaixam ao padrão proposto.
Neste sentido o preconceito étnico negro e o bullying passam a ter uma segunda linha comum. Esta permeia o poder. De forma subjetiva aquele que pratica o preconceito ou o bullying teme o ‘diferente’ e quer se impor como mandatário. O pensador social Kabengele Munanga escreve que no século XIX fora desenvolvido o modelo racista universalista. “Ele se caracteriza pela busca de assimilação dos membros dos grupos étnico-raciais diferentes na “raça” e na cultura do segmento étnico dominante da sociedade. Esse modelo supõe a negação absoluta da diferença, ou seja, uma avaliação negativa de qualquer diferença, e sugere no limite um ideal implícito de homogeneidade que deveria se realizar pela miscigenação e pela assimilação cultural”. (Munanga, K. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil. Editora Autentica. SP. 2000. p. 121) Por sua vez o bullying é descrito como “... comportamentos violentos no âmbito escolar (...) agressões, assédios e as ações desrespeitosas, todas realizados de maneira recorrente e intencional por parte dos agressores (...) geralmente, não apresentam motivações específicas ou justificáveis. (...) Isso significa dizer que, de forma quase “natural”, os mais fortes utilizam os mais frágeis como meros objetos de diversão, prazer e poder, com o intuito de maltratar, intimidar, humilhar e amedrontar suas vítimas.” (Silva, Ana B. B. Bullying: mentes perigosas nas escolas. RJ. 2010. p 21).
As duas linhas comuns, mencionadas acima, serão aprofundadas nas próximas colunas.
Jorge Alves de Oliveira. Mestre em Filosofia da Educação pela USP. Especialização em Filosofia da Educação pela PUC-SP. Graduado e bacharel em Filosofia pela UFPR. Professor de filosofia na E.E. Prof. João Batista Curado – Jundiaí – SP. E-mail: jorgeafro@ig.com.br blog: afrojorge.blogspot.com
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