A segunda parte desta reflexão relembra que há uma linha comum entre os dois conceitos/título, a saber, a subjetividade e o poder. O que se afirma é que todo e qualquer critério trás consigo uma ‘visão de mundo’ e, como tal, aquele representa uma parte da totalidade. Seja nas práticas preconceituosas – em especial, as que atingem à etnia negra – seja nas ações de bullying alguém se coloca como superior a partir de algum critério passível de ser questionado. A não compreensão desta lógica faz com que o exercício do poder se transforme em opressão. Alguém ou um grupo coloca-se como detentor do poder a ponto de eliminar o outro.
No espaço público escolar as práticas preconceituosas e as ações de bullying se fazem presentes. A diversidade sócio-cultural, a diversidade econômica, a diversidade de credo, a diversidade de gênero, a diversidade etária, a diversidade étnica, fazem do ambiente escolar uma sociedade heterogênea e multifacetada, propícia para tais manifestações. E este é o ponto a ser frisado. Na maioria das vezes perde-se o foco de que a homogeneidade que se deseja centra-se na aquisição do conhecimento. Todo e qualquer estudante, que já tem garantido o acesso à escola, deve, fundamentalmente, poder se apropriar do conhecimento na sua totalidade. Portanto, pensar, agir, comportar-se, sincronicamente, pautado em uma ‘x’ ideologia equivale a aniquilar a diferença.
O desafio que se coloca à comunidade escolar, em especial a pública, é a de discernir o que deve ser homogêneo em função da sua meta maior que é a aquisição do conhecimento e, o que deve ser preservado enquanto bem individualizado. Tal tarefa se impõe aos gestores, aos professores, a toda a equipe escolar, mas não exime a comunidade e, em especial aos discentes. Mais. Dentro deste processo de discernimento é necessário que se identifiquem as motivações que levam às práticas preconceituosas e as ações de bullying que, em última instância, são traduzidas em indisciplina e violência, propriamente dita.
Que não se perca de vista. Ainda que o bullying esteja em evidencia e, se manifeste com suas peculiaridades, os conceitos básicos do preconceito, étnico em especial, se fazem presentes. Não se trata do critério máximo da cor, mas da eliminação do diferente.
Jorge Alves de Oliveira. Mestre em Filosofia da Educação pela USP. Especialização em Filosofia da Educação pela PUC-SP. Graduado e bacharel em Filosofia pela UFPR. Diretor da E.E. Prof. João Batista Curado – Jundiaí – SP. E-mail: jorgeafro@ig.com.br
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